TEORIA × PRÁTICA
A irrelevância que ficou famosa por estar errada na prática
Modigliani e Miller mostraram em 1958 que, em um mercado perfeito, a estrutura de capital é irrelevante. Mas o mercado não é perfeito — e os próprios autores corrigiram a teoria em 1963 ao reconhecer o benefício fiscal dos juros. No Brasil, com Selic em dois dígitos, a dedutibilidade dos juros vale dinheiro real: cada ponto de alavancagem bem desenhado pode adicionar pontos cheios de ROE.
A questão prática não é se a estrutura importa — sabemos que importa. É onde está o ponto ótimo: o nível de dívida que minimiza o custo médio de capital (WACC) sem aumentar o risco de insolvência a ponto de o spread do banco engolir o ganho fiscal.
Reflexão · 4 min
PECKING ORDER
A hierarquia silenciosa que decide o seu custo médio
A teoria do pecking order propõe que empresas seguem uma hierarquia natural: primeiro lucros retidos, depois dívida, por último capital próprio externo. A lógica é simples — quanto mais externa a fonte, maior o custo informacional.
No middle market brasileiro vemos o oposto com frequência: empresas que esgotam capital de giro próprio antes de estruturar dívida, ou que captam equity dilutivo quando ainda têm capacidade de alavancagem disciplinada. O resultado é um custo médio de capital mais alto do que precisaria ser — e um sócio fundador com menos negócio do que poderia ter.
Reflexão · 5 min
M&A
Quando faz sentido olhar M&A — e quando absolutamente não faz
Há três sinais consistentes de que vale olhar M&A: (i) o múltiplo de mercado do setor está visivelmente acima do múltiplo implícito do seu fluxo de caixa próprio; (ii) a continuidade competitiva exige investimento que o sócio fundador não quer assumir sozinho; (iii) há um comprador estratégico cuja sinergia justifica prêmio relevante sobre o valor stand-alone.
E três sinais de que não faz: empresa em fase de virada operacional não madurada, governança ainda informal demais para sustentar due diligence, ou sócio buscando "validação de mercado" em vez de transação real. Cada uma dessas situações destrói valor — ou para o comprador, ou para o vendedor, ou para os dois.
Reflexão · 6 min